Bem-vindo à edição de setembro da Análise Global de Lausanne, que também está disponível em inglês e espanhol. Estamos ansiosos para receber suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Nesta edição perguntamos como o radicalismo islâmico e influência saudita podem ser combatidos na Indonésia após o encarceramento de Ahok, governador de Jacarta, sob acusações de blasfêmia; destacamos o chamado da igreja para ministrarmos com, para e pelas crianças em risco, empoderando-as para que possam florescer e expressar os dons vindos de Deus e que sejam co-participantes na missão; abordamos o tópico de inovação em missão integral, perguntando como podemos gerar mais criatividade, planejamento e ação para difundir o evangelho em todos os cantos do mundo; e discutimos como uma presença fiel significa penetrar na alta e baixa cultura por Cristo, ao avaliarmos o destaque contínuo do livro de James Davison Hunter “To Change the World: The Irony, Tragedy, and Possibility of Christianity in the Late Modern World.”

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As eleições deste ano para governador de Jacarta resultaram na pior divisão que o país viu em muitos anos. Tudo culminou com a prisão do atual governador Ahok, que é chinês e cristão, sob acusações de blasfêmia. “A eleição e julgamento expuseram a radicalização crescente na Indonésia, especialmente entre os mais jovens”, escreve Paul Marshall (Professor emérito de liberdade religiosa da Baylor University). Há diversas fontes desta radicalização, inclusive domésticas, mas o maior fator tem sido a rede bem financiada saudita de escolas, bolsas de estudo, imames e mesquitas que tentam substituir a interpretação local do islamismo, que geralmente encoraja a democracia e relacionamento pacífico entre as religiões, com o wahabismo saudita. Muitos indonésios agora percebem que eles têm sido muito complacentes sobre a disseminação do extremismo. A extensão global também é importante: É 50 vezes menos provável que muçulmanos indonésios se juntem ao EI do que muçulmanos do Reino Unido ou de outras partes da Europa. É importante para a igreja porque metade dos cristãos do mundo todo que vivem em um país com maioria muçulmana vivem na Indonésia. “Frequentemente quando não-muçulmanos pensam sobre o islamismo pensam em imagens do Oriente Médio e de árabes, apesar deles formarem somente um quinto dos muçulmanos no mundo todo. Precisamos prestar mais atenção ao grande número de países com maioria muçulmana na Ásia e África, e suas dificuldades com ideais extremistas que surgem especialmente no Oriente Médio”, conclui.

Crianças enfrentam grandes riscos em todas as regiões do mundo, crianças vivem em extrema pobreza, crianças são afetadas por conflitos, violência e abuso, elas acabam envolvidas em crises de refugiados, e são traficadas e prostituídas. No entanto, cada uma delas é muito mais do que uma vítima ou rótulo trágico. “Cada criança em nosso mundo quebrado e confuso é um ser humano multifacetado, criado à imagem de Deus, abençoado com dons espirituais – uma criança que pode trabalhar de forma significativa como obreiro colaborador na igreja e missão”, escrevem Susan Greener (professora adjunta de estudos interculturais na Wheaton College Graduate School) e Michelle Tolentino (co-fundadora do Made In Hope), catalisadoras da Rede temática de Lausanne sobre crianças em risco. A igreja global está percebendo e respondendo seriamente à importância das crianças, especialmente das crianças em risco. O Grupo Temático de Lausanne sobre Crianças em Risco contou com a participação de 74 acadêmicos, líderes de igreja, teólogos, missiólogos, profissionais e representantes de ONGs especializadas em crianças, todos reunidos para criar planos de ação para mobilizar a igreja global sobre estas questões. A igreja tem um posicionamento único para ministrar para, com e pelas crianças porque ela está presente praticamente no mundo todo. “Convidamos a igreja global para orar por nós ao continuarmos a busca pela sabedoria de Deus no nosso trabalho pelas crianças com risco entre nós. Além disso pedimos que outros se juntem a nós em nossa missão para, com e pelas crianças em risco, empoderando-as para que possam florescer e expressar os dons vindos de Deus e que sejam co-participantes no Missio Dei”, elas concluem.

No geral, o debate acerca da inovação tem estado focado, no geral, no desenvolvimento de negócios e em avanços tecnológicos. Consideremos, então, qual o significado de inovação quando aplicada à tarefa de levar o evangelho a todo o mundo”, escreve Paul Dzubinski (Diretor do RDW Launch Lab, o laboratório de inovação da Frontier Ventures). Tomando a definição de missão integral de Lausanne como ponto de partida, a inovação para a missão integral é a criação de soluções novas e sustentáveis para os problemas existente, ao discernir, proclamar e viver as boas novas de Deus junto de indivíduos, sociedades e na criação. A presença da palavra “sustentável” indica a diferença entre uma ideia intuitiva e uma inovação. É preciso oração, planejamento e muito trabalho para transformar uma ideia intuitiva numa empresa inovadora aplicada à missão integral. Contudo, não nos surpreende encontrar focos de inovação no campo missionário, já que os registos bíblicos apontam para isso mesmo desde o Gênesis. A metodologia Lean Startup pode favorecer o sucesso da inovação do leitor. Será que o seu ministério holístico no setor social trará a transformação do evangelho à sociedade? A transformação social irá melhorar através da santidade e da oração continuadas, em conjunto com a medição das mudanças na sociedade que resultam dos ministérios orientados para a missão integral. “A chamada do evangelho exige planejamento e ações com maior divergência, criatividade, inovação e com uma reflexão mais profunda. Tudo para levar o evangelho aos confins da Terra”, ele conclui.

“Faz seis anos que esta obra colocou os evangélicos em polvorosa”, escreve Jenny Taylor (escritora, jornalista e consultora) sobre o livro de Davison Hunter. Entretanto a sua importância ganhou novamente um grande destaque com a eleição presidencial dos EUA, com avisos amargos do autor aos evangélicos sobre os perigos de buscar o poder político para impor uma agenda moral. O problema desta abordagem, segundo Hunter, é ela não ser remotamente cristã e, na realidade, não muda nada.  A solução não é um aumento de poder, mas uma influência mais estratégica e autêntica. A “presença em fidelidade”, uma expressão de Hunter, implica sacrifício, submissão, uma qualidade oposta ao domínio e a antítese da celebridade. Os cristãos tendem a retirar-se das esferas culturais “ateias”, onde a influência poderá ser mais eficaz: o cinema, as belas-artes e o jornalismo, por exemplo, ao mesmo tempo, confrontam essas esferas através da política, a partir do exterior, com formas de negação verbal. A prática de uma presença em fidelidade na alta-cultura requer “fé, esperança e a mais importante, que é o amor”. Na verdade, para o autor, o verdadeiro objetivo do cristianismo não é mudar o mundo. A mudança é apenas o efeito de nos importarmos mais com alguma coisa do que com o bem gerado. Este livro procura devolver os cristãos ao mundo com uma mensagem de amor por ele. “Uma presença em fidelidade requer que todas as esferas sejam preenchidas para Cristo”, conclui a autora do artigo.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação, e perspectiva para que, como influenciador, você esteja bem equipado para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a mordomia de tudo que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]ausanne.org. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em novembro.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.