Bem-vindo à edição de novembro da Análise Global de Lausanne, que também está disponível em inglês e espanhol. Esta é nossa 30ª edição que também marca o 5º aniversário desde o lançamento da AGL.  Estamos ansiosos para receber suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Nesta edição marcamos o 500º aniversário da reforma protestante com um chamado pela união cristã pelo bem da grande comissão; consideramos como estimular o compartilhamento de recursos teológicos entre os hemisférios norte e sul; abordamos a questão de conexão entre gerações para a missão global, à partir do que aprendemos com as iniciativas de líderes jovens de Lausanne; sugerimos cinco verdades simples para os implantadores de igrejas contemporâneos, e brevemente discutimos o novo aplicativo da Operation World que nos ajuda a orar juntos, com propósito, pelo mundo.

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“O que exatamente significa para os protestantes, especialmente os protestantes evangélicos, reconhecer as dimensões trágicas da reforma?”, é a pergunta que faz Thomas Albert Howard (professor de humanas e história na Valparaiso University). Juntamente com os bons resultados da reforma, vieram muitos outros indesejáveis. A falta de união cristã é um dos principais resultados negativos, já que acaba se tornando um empecilho para o próprio evangelho– cuja a proclamação é e deveria ser o ponto forte do grupo evangélico. As escrituras combinam a importância da evangelização e ecumenismo. Infelizmente, a história da igreja pós-reforma é uma infeliz testemunha do papel que a falta de união cristã desempenha no sufocamento do evangelho. Os evangélicos não devem deixar de lado o comando de Cristo de que sejamos todos um. Quem se importa com a grande comissão deveria ao menos se esforçar para se tornar mais embaraçado e entristecido, de forma zelosa, pelas divisões da igreja. No entanto, a vergonha e tristeza não devem levar ao desespero. Pois é frequentemente em nossa fraqueza que o poder de Cristo pode brilhar mais. “Talvez (…) em nossa fraqueza, nas coisas que deveriam nos envergonhar e entristecer, nosso Senhor – 500 anos após a reforma- ainda possa manifestar seu poder em nossas falhas, e olhar para nós com misericórdia imerecida, apesar das lacerações que causamos à sua noiva, a igreja.”, conclui.

“Um dos dilemas cruciais enfrentados por quem está envolvido com educação teológica é este: a maioria dos estudantes está no hemisfério Sul, e a maioria dos recursos no hemisfério Norte”, escreve Kirsteen Kim (Professor de Teologia e de cristianismo mundial dos estudos interculturais, no Fuller Theological Seminary, EUA). Precisamos lidar com a falta de equilíbrio entre os hemisférios em termos de educação teológica. Existem ótimos exemplos de compartilhamento de recursos humanos e educacionais. Alguns projetos vão além do compartilhamento de recursos do hemisfério norte com o hemisfério sul, compartilhando também os recursos do Sul com o restante do mundo, incluindo o norte. Este é outro ponto importante na correção do desiquilíbrio de educação teológica. No entanto diversos teólogos do hemisfério norte não reconhecem a necessidade do ponto de vista do hemisfério sul, e quem perde são eles. A tecnologia está aqui para facilitar o compartilhamento de recursos teológicos. Existe um caminho, o que precisamos é de vontade. O compartilhamento de recursos entre os hemisférios não é mais uma forma do Norte ajudar o Sul a se ‘desenvolver’, mas uma atividade recíproca com benefícios mútuos. “A educação teológica missional que valoriza toda a igreja é a chave para desbloquear a partilha de recursos teológicos entre Norte e Sul” ela conclui.

“O estabelecimento de uma ligação entre líderes missionais de várias gerações é algo que está, histórica e estrategicamente, no coração do Movimento de Lausanne” escrevem Lars Dahle e Rudolf Kabutz (Catalisadores de envolvimento com a mídia de Lausanne) junto com Nana Yaw Offei Awuku (Diretor Associado Global para as Gerações de Lausanne). As iniciativas de Líderes Jovens (LJ) dentro do movimento oferecem lições-chave para a igreja global. “Passar a tocha” da liderança para a próxima geração era uma preocupação chave no primeiro Encontro de Líderes Jovens (ELJ) em Singapura em 1987, representando o modelo de significado missionário das parcerias e amizades da igreja global.  Liderança com uma atitude de servir, como a de Cristo, entre as gerações foi o tema central no encontro na Malásia em 2006, demonstrando a importância missionária do caráter e parceria para a igreja global. Aprender a partir da história bíblica e da história uns dos outros foram o tema central em Jacarta em 2016, mostrando para a igreja global uma comunidade missionária que aprende e olha para o futuro. Em 2016, o ELJ lançou modelos intergeracionais de discipulado e parcerias missionárias para a igreja global. O artigo é concluído com cinco lições-chave para a igreja global, obtidas a partir destas iniciativas. “Implementar estas cinco lições com profundidade e em espírito de oração irá equipar o corpo global de Cristo por gerações de líderes jovens e experientes, para “testemunharem de Jesus e de todo o seu ensinamento, em todas as nações, em todas as esferas da sociedade e em todos os campos de reflexão”, concluem os autores.

Os dados de questionários e discussões organizadas pela Rede de Implantação de Igrejas do Movimento de Lausanne revelam um interesse universal na implantação de igrejas saudáveis, assim como os desafios em comum para os implantadores de igrejas em todo o mundo. “Após peneirar e refletir, condensamos estes conhecimentos coletivos em Cinco verdades simples sobre a implantação de igrejas no começo do século vinte e um, na esperança de iniciarmos uma discussão ainda maior sobre estas questões”, escrevem Ron Anderson (Catalisador de Lausanne para implantação de igrejas) e Dave Miller (Missionário da Igreja de Deus na Bolívia). O desafio mais urgente que encaramos é fazer discípulos da próxima geração. A boa notícia é que os jovens estão mais interessados do que nunca em aprender de Jesus e em se tornarem seus seguidores com entusiasmo se apresentados ao evangelho. A segunda verdade é que devemos aprender e seguir a eclesiologia bíblica básica. A terceira verdade é que cada cristão é parte do sacerdócio universal de fiéis, e compartilha a responsabilidade e autoridade. A quarta verdade diz que os cristãos devem colaborar uns com os outros para impactar o mundo. A última verdade é que as redes unificam o Corpo de Cristo. Se a implantação de igrejas for eficiente no século 21, os implantadores de igrejas devem obedecer o comando de Jesus dado no primeiro século de “fazer discípulos de todas as nações”. “Isto”, concluem “é a verdade mais simples sobre implantação de igrejas.

Para Jason Mandryk autor do livro Operation World “Temos mais acesso a informação hoje do que em qualquer outro momento da história, mas parece mais difícil do que nunca discernir a verdade do que está acontecendo em nosso mundo tão grande.” É um emprego de tempo integral ter que filtrar todo o barulho, analisar os planos, e descobrir mais sobre regiões e questões negligenciadas. O recém-lançado aplicativo Operation World é uma ferramenta útil para os cristãos que se importam com nosso mundo. Qualquer pessoa com um telefone com sistema Android ou da Apple conectado à internet, em qualquer lugar do mundo, pode usar este aplicativo gratuitamente. Ele é uma fonte de material para oração sobre pessoas e lugares onde não há muito disponível. Cada dia o aplicativo exibe um ponto de oração para uma nação ou região. Quando você ora, está se juntado a milhares de outras pessoas, em todo o mundo, que estão orando pela mesma coisa. A Operation World pesquisou todos os países para mobilizar o corpo de Cristo a orar pelo que mais importa. O projeto vê a intercessão como uma forma de liberar o inestimável poder de Deus em nosso mundo partido, trazendo redenção, reconciliação e cura. “Por que não baixar o aplicativo, e se juntar a nós e milhares de outros em uma jornada de oração pelo mundo?”, conclui.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação, e perspectiva para que, como influenciador, você esteja bem equipado para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a mordomia de tudo que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em janeiro.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.