Damos-lhe as boas-vindas à edição de janeiro da Análise Global de Lausanne, também disponível em português e espanhol. Aguardamos com todo o interesse os seus comentários.

Nesta edição, analisamos o exemplo dos cristãos perseguidos no Egito, que são testemunhas do evangelho através do perdão; abordamos as razões pelas quais os cristãos se devem envolver com os apoiantes do Movimento Gülen; perguntamos como e porquê nos devemos envolver com o ministério estudantil internacional; e olhamos para a missiologia policêntrica: “missão de todos e para todos os lugares” no século XXI.

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“Durante toda a história, os coptas, cristãos nativos do Egito, sofreram perseguições esporádicas e muitas vezes intensas”, escreve Wafik Wahba (Professor Associado de Cristianismo Global no Seminário Tyndale em Toronto, Canadá). No entanto, estes cristãos vivem em harmonia na comunidade, contribuindo para o seu bem-estar geral. Muitos muçulmanos moderados mantêm relações amistosas com os seus vizinhos cristãos. Porém, o crescimento das atitudes tradicionalistas tem intensificado as tensões, já que os islamitas olham para a existência de outras comunidades religiosas como uma ameaça ao Islão.  Para os cristãos, a solução tem muitas vezes sido a retirada para o interior das suas comunidades, ou a emigração. No entanto, a extraordinária resposta dos cristãos aos ataques violentos experimentados desde 2013 tem criado muitas oportunidades para testemunhar do evangelho, e renovado o sentido de missão para o resto da comunidade. Os cristãos não procuraram vingança. Em vez disso, ofereceram perdão aos assassinos dos seus entes queridos. A mídia noticiou estas atitudes de perdão. Este testemunho poderoso do evangelho de amor e perdão no meio do ódio está a despertar curiosidade acerca da fé cristã. A igreja global é enriquecida pelo testemunho fiel de muitos cristãos egípcios, cuja fé é exemplo do verdadeiro significado da esperança. É uma lembrança de que a capacidade de sofrer por Cristo está no centro do testemunho cristão. “A igreja mundial é convidada a fielmente orar pelos mártires da igreja, enquanto os cristãos do Egito buscam viver fielmente ao evangelho do amor e perdão durante tempos de sofrimento e perseguição”, conclui Wahba.

“O Movimento Gülen, ou Hizmet, (…) possivelmente hoje é o movimento muçulmano maior e mais dinâmico no mundo”, escreve Peter Ridell (Vice Reitor Académico na Melbourne) School of Theology). A mensagem de Fethullah Gülen para os seus apoiantes encorajava-os a integrar a fé islâmica que tinham na vida diária, e a ensiná-lo às crianças através da educação. A abordagem de Gülen tem como alicerce o conceito de Temsil e não de Tebligh, de presença e não de proselitismo. O outro pilar da Hizmet é o diálogo interreligioso e intercultural. O Movimento Gülen está cambaleante devido aos ataques sofridos na Turquia. No entanto, há muitos anos que este movimento tem um caráter verdadeiramente internacional. Portanto, ao encontrar dificuldades na Turquia, é possível que floresça noutros lugares. Os cristãos podem aprender muito com ele. É evidente o sucesso deste foco numa educação com uma base islâmica subtil, que não a sharia, para espalhar a mensagem. O movimento fala a língua do século XXI, mas reforça os valores sociais e morais tradicionais. A diversidade das suas atividades, inspiradas numa abordagem personificante, que se traduz numa presença positiva em vez de em pregações dissimuladas junto dos céticos, é inspiradora. Os cristãos deveriam interagir com os apoiantes deste movimento. Há muito em comum entre ambos no que toca a um estilo de vida moral, uma abordagem baseada em valores ao mundo moderno e um desejo de agradar a Deus. Porém, as duas mensagens são mutuamente exclusivas no essencial. “No entanto, estas diferenças não devem impedir a formação de amizades genuínas e significativas além de um envolvimento cristão-Gülen frutífero”, conclui.

“O primeiro encontro mundial de líderes do Ministério Estudantil Internacional (ISM) decorreu em setembro de 2017, com o nome Lausanne ISM Global Leadership Forum: Charlotte’17“, escreve Leiton Chinn (Catalisador de Lausanne para o Ministério Estudantil Internacional, 2007 – 2017). O caminho está agora preparado para o movimento ISM aprofundar as suas raízes à escala global. Deus está a enviar o campo missionário às nossas universidades sob a forma de cinco milhões de estudantes internacionais atualmente em todo o mundo, número este que aumentará para oito milhões em 2025, segundo as previsões. Embora a importância estratégica do ISM seja óbvia, tanto os lideres das igrejas como os de iniciativas missionárias têm, muitas vezes, falhado em ver o potencial tremendo para missões mundiais para, e através de, estudantes estrangeiros que apreciam a hospitalidade e costumam demonstrar abertura e curiosidade ao viver fora do seu país. São também líderes mundiais em potência, construtores de nações e agentes transformadores. Além disso, os cristãos que regressam aos seus países podem desempenhar papéis importantes no estabelecimento da igreja global. As igrejas locais estão a descobrir o quão enriquecedor é ter um ministério entre estudantes internacionais, e o ISM pode ter um papel fundamental no trabalho das agências missionárias e ministérios baseados nas universidades. A realidade é esta: a maioria dos cristãos não são “chamados” para servir como missionários profissionais a longo prazo, ou para levantar o seu próprio sustento como “fazedores de tendas” noutro país. Porém, ficar na nossa terra natal não significa que não nos podemos envolver no ministério transcultural e global. O ISM é uma forma de participar em missões mundiais sem sair de casa. “Qual é o seu contexto ministerial? Quais são os passos seguintes que pode considerar ao explorar um método para a inclusão do ISM no plano estratégico do seu ministério?”, pergunta Chinn.

“A Conferência Missionária Mundial de Edimburgo em 1910. . . foi o local onde nasceu o movimento ecuménico moderno . . . que esteve na génese do International Missionary Council (Conselho Missionário Internacional), do World Council of Churches (Conselho Mundial de Igrejas) e do Movimento de Lausanne”, escreve Allen Yeh (professor na Cook School of Intercultural Studies na Biola University). Em 2010, cinco grandes conferências missionárias procuraram ser a sucessora de Edimburgo 1910. Todas representam o ponto em que se encontram a missão cristã hoje, na teoria como na prática. A missão hoje é policêntrica, dada a mudança do centro de gravidade do cristianismo para o Sul Global. Atualmente, a missão é “de todos para todos os lugares”. Logo, são necessárias várias conferências. As conferências missionárias são eventos em que as coisas têm início, e é importante perceber os pontos de partida. Se o futuro de missões é policêntrico, a totalidade da igreja global precisa de trabalhar em conjunto para levar o evangelho às nações. A igreja global ainda não cumpriu a oração sacerdotal de Jesus: ser uma para ser um testemunho missiológico para o mundo. O ecumenismo não é sinónimo de comprometermos a nossa integridade teológica; defender a unidade e a verdade é o padrão ao qual Jesus chama a sua igreja. O cristianismo continua a ser a religião que mais cresce no mundo (embora não seja a que cresce mais rápido). No entanto, é a que está mais distribuída geograficamente. “Unidade na diversidade é uma característica muito mais importante do que velocidade de crescimento, e que garante um futuro robusto para o cristianismo”, conclui Yeh.

Esperamos que ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação e perspetiva para que, como líder, esteja bem equipado para a evangelização global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento o ajude, e à sua equipa, a tomar melhores decisões sobre a mordomia de tudo o que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne estará disponível em março.

 

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.