Damos-lhe as boas-vindas à edição de maio da Análise Global de Lausanne, também disponível em inglês e espanhol. Aguardamos com todo o interesse os seus comentários.

Nesta edição, damos destaque a dois artigos que examinam como devemos responder à crise de refugiados global, com um foco em viver a hospitalidade crise com migrantes e acolhendo o Estranho Global. Também consideramos como a igreja deve responder à ascensão do nacionalismo religioso no Sul asiático, e como o crescimento de recursos de treinamento em oralidade pode avançar a Grande Comissão.

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«Esta crise de refugiados é a pior crise humanitária desde a II Guerra Mundial», escreve Cindy Wu (autora de A Better Country: Embracing the Refugees in Our Midst). Guerra e conflito são as causas principais, mas existem outros fatores, como privação econômica, degradação ambiental, e perseguição. Perante este fenómeno global, como devem os cristãos responder? A Bíblia ordena caridade e hospitalidade ao estranho residente ou viajante. Portanto, pessoas que seguem Jesus têm um mandato especial para responder à crise de refugiados. No entanto, as complexidades do sistema de refugiados e a preocupação com a segurança nacional muitas vezes suplantam o apelo à justiça e misericórdia. Deus decretou que os estrangeiros tinham direito ao seu amor e preocupação, por isso cuidar de refugiados hoje não é apenas uma questão de compaixão ou pena — é uma questão de justiça. Além disso, em algumas formas, conseguimos identificar-nos com refugiados porque nós também não temos um lar permanente nesta vida; e experimentamos Deus através da hospitalidade a estranhos, desafiando-os a ver refugiados não como um fardo, mas como um atributo valioso para as nossas comunidades. Podemos acolher através da típica hospitalidade de refeições e comunhão, mas também através da defesa de direitos e educação. «Temos uma oportunidade tremenda de partilhar o amor de Deus e a luz de Cristo com pessoas de terras distantes que de outra forma poderiam não receber desse ministério», conclui ela.

«A questão da imigração muçulmana não mostra sinais de desaceleração na Europa ou na América do Norte», escreve Matthew Kaemingk (professor assistente de Ética Cristã no Fuller Theological Seminary). A igreja não pode ignorar esta questão. Como, então, deve ser a reposta dos cristãos? Durante os últimos 20 anos a maioria dos cristãos ocidentais reagiram à imigração muçulmana seguindo os argumentos da direita ou esquerda política, tratando-os com medo e suspeita ou com paternalismo liberal e relativismo religioso. Contudo, as respostas da direita e da esquerda à imigração muçulmana são politicamente insustentáveis e teologicamente corruptas. Existe, de fato, uma reposta unicamente cristã e alternativa a esta questão urgente que representa uma oportunidade crítica para testemunha, hospitalidade e serviço dos cristãos. O artigo apresenta cinco discípulos que estão incorporando uma testemunha alternativa de humildade. O conflito atual representa um espaço missiológico crítico, no qual a igreja pode considerar novas oportunidades para o testemunho e a hospitalidade dos cristãos. Estes discípulos estão vivendo a teologia da hospitalidade cristã no conflito entre o islamismo e ocidente. A igreja ocidental precisa desesperadamente de mais modelos de vulnerabilidade e testemunho do evangelho em meio a este conflito global. «As ruas sem saída de direita e esquerda política demandam uma imaginação renovada pelo evangelho neste espaço missiológico crítico», conclui ele.

«Na região do Sul asiático, a religião é um componente importante da identidade de uma pessoa», escreve Tehmina Arora (Senior Counsel no Sul asiático para a ADF Internacional). No passado recente, uma sobreposição crescente entre fundamentalismo religioso, nacionalismo e majoritarismo violentos incitou o aumento de violência e hostilidade contra minorias religiosas, especialmente cristãs. O aumento da violência resultou em insegurança e perda de vidas e de bens. Também resultou no aumento de restrições governamentais sobre a vida religiosa. Os principais fatores alimentando a violência com motivos religiosos são uma cultura de impunidade que permite que as multidões violentas escapem sem repreensão, a propaganda contra minorias religiosas, e a incapacidade de forjar identidades comuns entre cidadãos. Os cristãos devem trabalhar para fortalecer o Estado de direito, respondendo à propaganda e construindo identidades comuns. Em resposta à sobreposição crescente entre identidades religiosas e nacionalistas, e à violência resultante contra minorias religiosas, a diversidade dentro de um corpo, e o amor e respeito pelos seus diferentes membros que a igreja global representa é um modelo único e importante num mundo em sofrimento. É imperativo que os cristãos continuem a viver isto. «Os cristãos devem trabalhar para fortalecer o sistema judicial e ajudar a construir relações profundas e significativas na nossa vizinhança e sociedade em geral e com aqueles que são mais vulneráveis», conclui ela.

«Cada vez mais missionários, executivos de missão, pastores e plantadores de igrejas transculturais estão percebendo e reconhecendo que o Movimento Oralidade é transformacional no nosso tempo», escreve Jerry Wiles (Diretor Regional da International Orality Network na América do Norte). De facto, alguns reconhecem que a Oralidade está a mudar o rosto das missões e que é um dos maiores avanços dos últimos 500 anos. O Movimento Oralidade procura redescobrir as formas mais eficazes de aprender, comunicar e processar informações, desde o início dos tempos. À medida que se torna mais visível e credível, a comunidade acadêmica está ganhando interesse e olhando para formas de envolvimento. Quando procuramos entender melhor o movimento Oralidade, reconhecemos a variedade de disciplinas acadêmicas relacionadas com o domínio da Oralidade em geral. Apesar de um grande volume de investigação acadêmica, teses e dissertações, parece haver uma falta de aplicação contemporânea em termos de estratégias de missão e ministério. No entanto, isto está agora mudando. Relatórios e feedback de direções e agências de missão estão fornecendo dados novos e bem necessários que podem ser muito úteis a instituições a implementar estudos da Oralidade em seminários e outras instituições.  Entre os aspetos multi-facetados do Movimento Oralidade, a liderança da ION está a tentar fazer da Grande Comissão o foco central. «Isso significa comunicar o evangelho e fazer discípulos, e fazê-lo de fornas internacionais, transculturais e reproduzíveis em todos os lugares com todas as pessoas na Terra», conclui.

Esperamos que ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação e perspetiva para que, como líder, esteja bem equipado para a evangelização global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento o ajude, e à sua equipa, a tomar melhores decisões sobre a mordomia de tudo o que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em julho, quando esperamos revisitar a questão do equilíbrio entre graça e verdade na nossa abordagem aos muçulmanos e ao Islã.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.