Damos-lhe as boas-vindas à edição de janeiro da Análise Global de Lausanne, também disponível em português e espanhol. Aguardamos com todo o interesse os seus comentários.

Nesta edição, analisamos como a Venezuela foi de uma nação de grande riqueza para um estado de grande desespero e como os cristãos podem responder ao desastre populista do país. Ponderamos sobre o “Walking with Jesus Movement” (Movimento Andando com Jesus) que procura responder à crise da igreja coreana diante dos desafios das secularização; analisamos as lições da “igreja desaparecida” no Norte da África, incluindo a necessidade de unidade na diversidade e abordamos o fenômeno global da vergonha e como Cristo é a resposta.

“A história recente da Venezuela representa o desdobrar de uma tragédia digna de Fausto”, escreve Wolfgang Fernandez, diretor da Next Step. Uma nação com inúmeros recursos, com um povo que vivia como se a festa não tivesse fim, agora passa por alguns dos problemas mais complicados que um país pode enfrentar. A maioria dos venezuelanos estão esgotados e tentam apenas sobreviver, e um êxodo sem precedentes tem sido o resultado. Com a dispersão, novas oportunidades surgem para os venezuelanos serem usados pelo Senhor para abençoar as nações. Além disso, os expatriados enviam alimentos, itens emergenciais e recursos para apoiar suas famílias e outros. A crise também permitiu que os outros, que corajosamente escolheram ficar no país, possam explorar novas formas de trazer esperança às pessoas quebradas,  começando com grupos de fiéis que modelam os valores do Reino de Deus. Precisamos equipar nossos irmãos e irmãs venezuelanos para suprirem as necessidades, dando as mãos e pés pelo evangelho. O país precisa desesperadamente de alimento e ajuda humanitária, mas também do sal e da luz do Reino. Há muito trabalho para fazer e precisamos que a comunidade global dê assistência em tudo que for possível e que ore para que pessoas de paz se levantem. “Com fervor profético, devemos anunciar em todos os lugares as atrocidades que estão acontecendo nesse país; e, com corações cheios de misericórdia, que trabalhemos juntamente de nossos irmãos e irmãs venezuelanos para trazermos um senso renovado de esperança para seu país”, conclui Fernandez.

“A Igreja coreana alcançou crescimento quantitativo tremendo desde 1980, mas houve pouco foco no crescimento qualitativo”, escreve Kisung Yoo (pastor sênior da Good Shepherd Church em Seungnam, Coreia do Sul) e Paul Sung Noh (missionário e estudioso na área de missões). A impossibilidade de encontrar vidas semelhantes à de Cristo está no centro da crise eclesiástica coreana e é por isto que surgiu o movimento “Walking with Jesus Movement” (“Movimento Andando com Jesus” ou “WJM”, em sua sigla em inglês). O WJM está crescendo rapidamente nas igrejas da Coreia do Sul e de outras regiões da Ásia, com o objetivo de que as pessoas vivam cada momento com um senso da presença de Deus e experimentem um relacionamento próximo com o Senhor em suas vidas diárias. O WJW usa o diário espiritual como a principal ferramenta para desenvolver um senso de presença e intimidade com o Senhor. O uso de tecnologias de informação em conjunto com o diário permite que as pessoas se comuniquem com outros no ciberespaço. O movimento WJM pode ser uma resposta para a igreja global aos desafios da secularização. É uma notícia incrível que os cristãos que vivem em Seul, uma cidade metropolitana altamente desenvolvida e secularizada, experimentaram viver na presença de Jesus e estão aproveitando um caminhar íntimo com ele em suas vidas diárias. Como primeiro passo, o movimento WJM buscou renovar as igrejas coreanas e ajudá-las a superar sua crise moral e espiritual. O movimento agora se espalhou para a Coreia, Japão, China, Taiwan e Indonésia. A longo prazo, estamos confiantes de que irá se espalhar das regiões da coreia e Ásia para saciar a fome e sede espirituais das inúmeras igrejas ao redor do mundo. “Estamos trabalhando para possibilitar que as bênçãos do WJM estejam disponíveis para a igreja global”, concluem.

“Houve um tempo em que as maiores cidades do Império Romano eram, além de Roma, Alexandria, no Egito, e Cartago, na atual Turquia”, escrevem Mons Gunnar Selstø (missionário da Norwegian Lutheran Mission) e Frank-Ole Thoresen (presidente do Fjellhaug International University College, na Noruega). Essas cidades também se tornaram um reduto para a igreja cristã. Pensadores cristãos primitivos, como Tertuliano, Cipriano e Agostinho, nasceram no norte da África e serviram em Cartago. Com uma história tão rica, a expansão árabe pela região que ocorreu a partir do século VII pode ser intrigante. Muitos eruditos já debateram os motivos por que a igreja não conseguiu resistir aos novos dominadores. Durante os 300 anos anteriores à expansão árabe na região, foram estabelecidas duas igrejas paralelas, e a divisão entre elas estava crescendo. Os esforços de unidade sempre falhavam e as igrejas rotulavam uma à outra como falsas. Essa divisão realça uma tensão importante entre a igreja como uma entidade global e uma entidade local, contextualizada. Além disso, diversos estudos demonstraram como a conversão religiosa e o desenvolvimento religioso de vários grupos várias vezes se interrelacionam com as dinâmicas sociopolíticas e etnopolíticas. As experiências de marginalização étnica e cultural podem ter um papel significativo no fortalecimento da identidade cultural de um grupo, em oposição ao grupo dominante. A história do povo berbere no Norte da África segue esse padrão, que também foi identificado em outros contextos, inclusive na era moderna. “Igrejas de todo o mundo podem se beneficiar ao abraçar a ‘unidade na diversidade'”, concluem.

“As redes sociais deram um megafone a cada usuário. É possível destruir a reputação de uma pessoa em segundos através de um tweet viral. Como resultado, estamos todos mais sensíveis à vergonha e ao poder da humilhação”, escreve Simon Cozens (missionário da WEC Internacional). Quando sentimos vergonha, queremos fugir, nos esconder, ficar longe da situação ou das pessoas que nos humilharam. Não podemos tirar a vergonha de dentro de nós, então, nos afastamos daquilo que nos causa vergonha. O batismo como morte e renascimento é uma imagem poderosa para aqueles cuja velha vida é repleta de vergonha. Além  disso, a vergonha é um problema comunitário, acontece porque minha identidade deriva das pessoas ao meu redor. As opiniões podem não mudar, mas as pessoas certamente são mudadas. O batismo não só sepulta o velho homem, mas também abre portas para uma nova comunidade: a comunidade do povo de Deus. O Evangelho nos dá uma nova sociedade, uma nova família. Em nossa nova família, somos aceitos sem qualquer vergonha. Podemos ver que a própria igreja tem um papel fundamental na solução dada por Deus para a humilhação. Cristo oferece uma nova vida à pessoa que sofre humilhação, a igreja oferece um novo ambiente para viver. “Quando essas duas coisas acontecem, a verdadeira liberdade torna-se possível”, conclui.

Esperamos que ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação e perspectiva para que, como líder, esteja bem equipado para a evangelização global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomarem melhores decisões sobre a mordomia de tudo o que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne estará disponível em novembro.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.