Damos-lhe as boas-vindas à edição de novembro da Análise Global de Lausanne, também disponível em português e espanhol e em versão de áudio (somente em inglês). Aguardamos com todo o interesse os seus comentários.

Nesta edição examinaremos as questões de saúde mental e trauma como uma missão prioritária para a igreja; aprendemos com lições de Taiwan sobre como mobilizar cristãos para a missão; consideramos a cultura branca e como ela dá a forma para como fazemos missões pelo mundo; e exploramos as redes sociais e seu potencial para ministramos aos não-alcançados.

“A igreja global está começando a reconhecer problemas de saúde mental como um ministério prioritário”, escreve Gladys Mwiti (fundadora e diretora da Oasis Africa Center for Transformational Psychology & Trauma) e Bradford Smith (decano de Artes e Ciências e da Escola de Belas Artes na Belhaven University). Frequentemente pensamos que somente a terapia individual é a melhor abordagem. No entanto, temos identificado cada vez mais abordagens baseadas na comunidade como essenciais; as igrejas – comunidades de fé onde as pessoas pode encontrar segurança e ajuda em momentos de necessidade – podem ter um papel importante. As pessoas com problemas de saúde mental formam um dos maiores campos missionários para a igreja mundial. Provavelmente nenhum outro segmento da sociedade se encaixa melhor na descrição de “um destes meus irmãos mais pequeninos”. As famílias frequentemente ligam primeiro para um pastor quando há uma crise de saúde mental. No entanto, os pastores frequentemente relutam ou não se sentem preparados para falar sobre saúde mental do púlpito. Uma das prioridades nos cuidados da saúde mental, de um ponto de vista global, é oferecer cuidados para as pessoas que passaram por eventos traumáticos. Uma abordagem balanceada e teológica reconhece a realidade do trauma e sofrimento e então abraça formas originais para se alcançar a cura e de se viver que, com o passar do tempo, permitem o crescimento pessoal após o trauma. Em sua abundante graça, Deus posicionou as igrejas estrategicamente para suprir as necessidades das pessoas com problemas de saúde mental, inclusive os que sofrem com as feridas do trauma. É essencial que continuemos a comunicar que a saúde mental é uma grande prioridade e trabalharmos juntos para tratar dela. Abordar questões de saúde mental e trauma é possivelmente uma das prioridades mais urgentes que emergem dentro da missão integral da igreja mundial.

“O cristianismo cresceu muito nos 150 anos que se passaram desde que desembarcou, pela primeira vez, nas praias do Taiwan”, escreve Ray Peng (presidente da United Mission of Taiwan). Atualmente há aproximadamente 4 mil igrejas na ilha, além de diversas organizações cristãs bem estabelecidas, empresas de mídia e publicação, e seminários altamente conceituados. No entanto, ainda resta muito trabalho a ser feito para respondermos completamente à grande comissão. Apesar de ter recursos, infelizmente a igreja taiwanesa olha para dentro e pela sua mentalidade insular. Enfrentamos obstáculos consideráveis ao mobilizar os cristãos taiwaneses para as missões. Contudo, conseguimos conectar igrejas, denominações, organizações cristãs, organizações missionárias, e indivíduos cristãos, fazendo uso das redes sociais e tecnologias modernas de comunicações e informação. Além disso, no Taiwan, temos um nicho especial para servir como uma plataforma de recursos para os países que falam chinês. Nos últimos 20 anos percebemos que a onda de missões interculturais não é somente um slogan, e sim uma coisa concreta. O progresso que está sendo feito é graças aos esforços colaborativos de todos as partes interessadas. Professores de seminários, pessoas que gostariam de ser missionárias, veteranos do campo, intercessores e até professores de escola dominical, todos tiveram um papel importante na transformação da igreja em uma igreja missional. Estamos ansiosos para vermos um “ecossistema” de missões que vêm da igreja chinesa global como um todo no futuro próximo. “Quero convidá-lo/la a se juntar a nós nesta grande tarefa de acordarmos as igrejas que dormem ao redor do mundo e terminarmos a tarefa que está diante de nós”, ele conclui.

“Gostaria de me focar especificamente no impacto da cultura branca em missão — como ela molda a forma como damos testemunho de Cristo e do seu reino”, escreve Daniel Hill (fundador e pastor sênior da River City Community Church em Chicago). Uma das razões por que pode ser difícil para quem é branco reconhecer a presença da cultura branca é o facto de ela se ter tornado o “normal” com o qual comparamos todas as outras culturas. Ela é real, e se não aprendermos a reconhecê-lo, a cultura branca continuará a ser a norma incontestada através da qual todas as outras culturas são julgadas nos nossos esforços missionais. No entanto, a normalização da cultura branca não é nada em comparação com o problema mais profundo de todos. Somos criados à imagem e semelhança de Deus. No entanto, a construção de raça de raça foi criada com base na narrativa de que alguns seres humanos valem mais do que outros, e a raça branca está no topo da hierarquia racial. Para seguirmos em frente, precisamos aprender a ver a cultura branca, melhorar a nossa compreensão da interseção entre a construção de raça e o desenvolvimento da cultura branca, aprofundar nossa análise teológica da construção de raça, e examinar formas em que a cultura branca tem moldado a missão global. “Devemos rever constantemente os nossos pressupostos e abordagens e garantir que não estão a ser tolhidos por ideologias brancas. Temos de aprender a libertar-nos desse cativeiro para assim podermos dar um testemunho autêntico e poderoso de Cristo e do seu reino”, ele conclui.

“À medida que os nativos digitais entram no ministério no exterior e até mesmo agora que as gerações anteriores se tornam mais familiares com as atividades online, o potencial para encontrar e impactar pessoas por toda a eternidade parece estar valendo o risco”, escreve Tim C (profissional de mídia). Alguns ministérios usam o Facebook para encontrar “pessoas de paz”. Enquanto o Facebook controla a maior fatia do mercado das redes sociais, o Snapchat é um território ainda inexplorado pelos ministérios. O YouTube é utilizado por pelo menos um terço dos usuários globais de internet. Até 2019, o tráfego de vídeos pela internet será responsável por 80% do tráfego de internet por consumidores. Estas estatísticas são estarrecedoras, quando você pensa no potencial de alcançar os que ainda não sabem sobre Jesus ao redor do mundo. Mesmo em áreas remotas offline, os dispositivos móveis se tornaram lugar-comum.  Os cristãos envolvidos em esforços de alcance estão começando a reconhecer o potencial da internet, mas muitos simplesmente não sabem como ou por onde começar, e é importante reconhecer que as estratégias de evangelização usadas nas redes sociais que funcionam em um lugar, podem facilmente falhar em outro. Como evangélicos ao redor do mundo, minha esperança é que possamos trabalhar para redimir mais deste espaço digital. Resultados do reino estão somente começando a se evidenciar aqui na terra. “Nesta vida não saberemos o verdadeiro impacto; e considerando o ritmo da tecnologia, este artigo ficara antiquado em breve à medida que os seguidores de Jesus continuarem a experimentarem as ferramentas modernas à sua disposição”, ele conclui.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação e perspectiva para que, como líder, esteja bem equipado para a evangelização global.  É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a mordomia de tudo o que Deus confiou aos seus cuidados.

Gostaríamos de concluir agradecendo e homenageando Todd Johnson (Professor Associado de Cristianismo Global e Diretor do Centro de Estudos de Cristianismo Global da Gordon-Conwell Theological Seminary) que decidiu deixar seu cargo de Editor Contribuinte da AGL e papel de Conselheiro do Conselho Editorial da AGL para se dedicar completamente ao trabalho que está fazendo na terceira edição da World Christian Encyclopedia. Todd teve um papel importante na formulação e lançamento da AGL em 2012 e desde então tem sido uma fonte inestimável de ideias para artigos, conexões com autores, orientação geral e sabedoria para nós.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em janeiro.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.