Bem-vindo à edição de janeiro da Análise Global de Lausanne, que está disponível também em inglês e espanhol, e em áudio somente em inglês. Aguardamos suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Nesta edição buscamos aprender lições do Irã sobre como utilizar a tecnologia para discipular novos crentes em um ambiente hostil; perguntamos como devemos responder à perseguição de cristãos ao redor do mundo para ajudar a fortalecer a igreja; exploramos a teoria queer e o transgenerismo e como devemos responder aos ataques ao conceito de uma identidade sexual fixa; e examinamos a expansão policêntrica nos movimentos de missões mundiais e o verdadeiro globalismo na teologia e ministério.

“Pela graça de Deus, encontramo-nos numa época de colheita [no Irã], escreve David Yeghnazar (diretor executivo da Elam Ministries). Embora levar o evangelho ao Irã continue a ser uma prioridade, a questão agora não é simplesmente testemunho, mas discipulado. Quase todos os novos cristãos vêm de um contexto muçulmano. Muitos vêm com feridas profundas ou estão no meio de relações tensas. Muitos trazem vícios da sua vida antiga. Como discipulamos tão grande número de novos cristãos, particularmente num ambiente hostil como o Irã? Estes novos seguidores de Jesus são muitas vezes indivíduos isolados que não conhecem pessoalmente muitas pessoas (se é que alguma) que tenham tomado a mesma decisão. A encarnação continua a ser o modelo de discipulado: Jesus chamou os seus discípulos para estarem com ele. No entanto, a tecnologia pode ser útil de forma única neste contexto, reunindo — embora virtualmente — aqueles que estão isolados pelo governo e sociedade restritivos. Apesar de todas as contribuições que a tecnologia pode fazer, seus desafios incluem obter acesso, conexão fraca de internet/celular, e interrupções hostis pelo governo. Ao considerar formas de aproveitar a tecnologia para a evangelização e discipulado, é útil medir as ferramentas de acordo com sua utilidade ao buscarmos os objetivos de discipulado, nunca devemos tornar-nos dependentes de uma plataforma tecnológica, a pessoa por trás da tecnologia deve vir sempre primeiro. Em muitos casos no Irã, “embora a tecnologia continue a apoiá-los, uma pequena amostra de cristãos — uma igreja — nasce e, quando esses são discipulados, vão e fazem discípulos”, o autor conclui.

“Em muitas partes do mundo, a perseguição de cristãos está a aumentar”, escreve Yousaf Sadiq (professor convidado na Wheaton College). Uma vez que cristãos estão a ser vítimas deste tratamento brutal, como devemos responder, para que possamos ajudar a fortalecer a igreja global no seu trabalho de missão global? Oração é a principal prioridade. Uma boa forma de começar é criar um grupo que se encontre num horário combinado para orar pela igreja perseguida. Muitos cristãos no Ocidente não estão cientes do estado da perseguição de cristãos no mundo. Os cristãos no mundo todo devem mostrar preocupação e levantar a sua voz contra cada injustiça. Quando cristãos são atacados e suas casas são destruídas, eles precisam de ajuda prática para reconstruir seus lares. Os que encontram refúgio em outro país também precisam de nossa ajuda.

Os cristãos perseguidos sofrem níveis elevados de stress psicológico e emocional, e frequentemente não existe aconselhamento cristão para os ajudar.

O corpo de Cristo pode oferecer treinamento. Em muitos lugares nos quais os cristãos são perseguidos, eles são também uma minoria. Nesses lugares, é muito importante procurar formas de manter uma relação saudável com a maioria religiosa. A igreja global de Cristo pode, nos seus países respetivos, ajudar cristãos perseguidos ao entrar em diálogo com outras comunidades religiosas. Ao cuidar dos irmãos e irmãs perseguidos, também podemos experimentar as bênçãos espirituais como um só corpo de Cristo. “Os evangélicos deveriam chegar-se à frente em amor, orar, e ser um instrumento de bênção para irmãos e irmãs que dão testemunho de Cristo em condições extremas”, ele conclui.

“Na última década vimos o crescimento de uma nova ideologia no ocidente e cada vez mais em outras partes do globo. Às vezes descrita como “transgenerismo” ou simplesmente como ‘teoria queer’”, escreve Olof Edsinger (secretário geral da Aliança Evangélica Sueca). É diferente dos movimentos anteriores, no sentido de que é um ataque ao conceito de identidade sexual fixa. A ideologia estipula que não somente o papel de cada gênero é fluído, mas também nossos sexos biológicos. O porta-voz mais conhecido é o movimento LGBTQI+. Frequentemente os marginalizamos erroneamente, em vez disso, devemos olhar para eles com o amor de Cristo. Entretanto, precisamos reconhecer os perigos da ideologia trans e queer da forma que são generalizadas pela população como um todo. Não podemos permitir que as experiências do movimento LGBTQI+ definam a percepção de sexo e gênero também dentro da maioria heterossexual, especialmente dentre os mais jovens. Considerando a história da criação, fica claro que tanto a norma hétero, quanto a norma dos dois sexos, são fundamentais. Precisamos ajudar as próximas gerações a encontrarem suas identidades na criação de acordo com a imagem de Deus. Acima de tudo somos chamados a sermos os filhos e filhas de Deus. “Precisamos mostrar através de nossos ensinamentos e nossas vidas que o caminho para a liberdade para pessoas heterossexuais e LGBTQI+ é fixar nossas identidades não em nossas orientações sexuais, mas sim em nossa origem do Deus Criador”, ele conclui.

“O século vinte foi marcado pela mudança da origem de recursos e missionários que anteriormente fluíam dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, e do hemisfério norte para o hemisfério sul”, escreve Steve Moon (diretor executivo da Korea Research Institute for Mission). Depois de uma série de expansões, agora há múltiplos centros de gravidade na missão cristã. As diferenças culturais entre um país asiático e um na América Latina podem ser maiores do que as diferenças entre um país asiático e um ocidental. Devemos, portanto, buscar o verdadeiro globalismo na teologia e ministério. A arte da liderança neste mundo diversificado está em como lidamos com as diferenças. Uma atitude desejável seria apreciar e aproveitar ao máximo seus benefícios para torná-las dinâmicas positivas para sinergia. O ministério encarnacional nesta época global requer um comprometimento profundo com uma mentalidade respeitosa. Não é somente uma questão de estratégia, mas uma qualidade essencial da espiritualidade e liderança missional. Se necessário, precisamos controlar nossas expectativas de proficiência de comunicação. Uma categoria de emissão de certa cultura ou idioma pode não existir ou não ser relevante em outra cultura ou idioma. Fazer perguntas em vez de assumir que existe consenso é utilizar a sabedoria transcultural. Também precisamos escutar mais atentamente. “Convidemos pessoas do outro lado do mundo para nossa comunhão e reuniões… E que possamos pedir quais são suas opiniões, compartilhar seus pensamentos e sentimentos e participar de um diálogo rumo à colaboração”, ele conclui.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação, assim como pontos de vista e perspectivas para que, como influenciador, você esteja bem equipado para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a administração de tudo que Deus confiou aos seus cuidados. Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em março.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.