Bem-vindo à edição de maio da Análise Global de Lausanne, que está disponível também em inglês e espanhol, e em áudio somente em inglês. Aguardamos suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Nessa edição, à medida que saem os resultados das eleições na Índia, analisamos o nacionalismo hindu e outros e suas implicações na missão; consideramos o endurecimento das leis na China e como as igrejas e trabalhadores cristãos estrangeiros podem se adaptar em um ambiente político menos livre.  Também perguntamos qual nosso grau de comprometimento com a integridade e luta contra a corrupção, propinas e extorsão; e exploramos porque a criação de riqueza é central à nossa missão.

“A preocupação com o fundamentalismo hindu, ou Hindutva, tem crescido nos últimos anos”, escreve o autor (nome não publicado), que ensinou em universidades indianas e estrangeiras. De acordo com os seus seguidores, a ideologia política da Hindutva é uma afirmação da “identidade indiana” e “nacionalidade indiana”. Desde a eleição de Narendra Modi em 2014, foram cancelados os registos de mais de 20 mil organizações de sociedade civil não-Hindutva. Além disso, são cada vez mais utilizadas ameaças para intimidar pessoas comuns. As próximas eleições nacionais estão agendadas para ser realizada em maio deste ano. A Hindutva não tem respostas concretas para o país. Recordar um passado glorioso imaginado não vai ajudar a Índia a superar os grandes desafios que hoje enfrenta. É, portanto, inevitável que a Hindutva cause ampla desilusão. Isto oferecerá uma oportunidade: A missão precisa de acontecer, não só com abordagens tradicionais, mas com novas abordagens que levam a sério o desejo dos indianos de resolver os nossos problemas nacionais reais, para que possamos andar de cabeça erguida no mundo — não na base de ilusões mas na base do evangelho que liberta o nosso povo de estruturas que resultam em escravidão, ignorância, doença e exploração. Além do mais, o discipulado de cristãos tem de ser levado muito mais a sério. Mesmo que tivéssemos mais evangelistas, eles não conseguiriam exercer os seus dons em público, onde os nacionalismos são dominantes. “É por isso que, numa era de nacionalismos crescentes, a maior necessidade da igreja global são cristãos que encarnem e comuniquem o evangelho na sua vizinhança e local de trabalho”, o autor concluí.

“O partido comunista afrouxou seus controles durante três décadas e as liberdades se expandiram, mas agora [o presidente] Xi [Jinping] está sistematicamente buscando assegurar o controle do partido sobre todos os setores da sociedade”, escreve Joann Pittman (vice-presidente sênior da ChinaSource). É isso que está por trás dos relatos recentes das repressões e crescente assédio/perseguição de crentes. O novo ambiente político está impactando também os estrangeiros que estão servindo a igreja no país. Em 2018, o governo estabeleceu novos regulamentos religiosos que dificultaram significativamente o funcionamento das igrejas não registradas (igrejas subterrâneas). As igrejas registradas (igrejas “das três autonomias”) estão sentindo a pressão também.  Enquanto a presença de indivíduos e organizações cristãs foram toleradas nos 30 anos que se passaram, essa tolerância está acabando. São cada vez mais vistos pelo governo chinês como ameaças em potencial à segurança nacional. A China também se tornou um estado de vigilância, e os estrangeiros não estão isentos. Provavelmente será mais difícil “colorir por fora das linhas e os trabalhadores estrangeiros precisarão repensar o que significa ‘estar sob o radar’. Obreiros cristãos na China precisam ter um plano de contingências, não importa quão “segura” pensem que seja sua situação, eles também precisam ser intencionais sobre suas estratégias de indiginização. Além disso, a natureza e impacto das mudanças que estão acontecendo não estão limitadas às condições internas ou aos estrangeiros que trabalham na China. “Enquanto não sabemos os detalhes das mudanças pelas quais a China passará nas próximas décadas, mas podemos ter certeza de que para os cristãos locais e estrangeiros, as décadas seguintes não serão como as décadas passadas”, ela conclui.

“Quando ouvimos sobre corrupções e escândalos dentro de denominações cristãs, organizações para-eclesiásticas, ou até em igrejas locais, rapidamente verificamos o texto para ver se encontramos nomes que reconhecemos”, escreve Manfred Kohl (embaixador da Overseas Council International).  Mesmo assim, o efeito que isso tem sobre nós é mínimo. Vemos essa situação terrível como sendo errada, mas consideramos que é além de nosso controle. No entanto, como seguidores de Cristo, não podemos simplesmente aceitar a realidade da corrupção no mundo. Somos chamados a sermos luz do mundo, e há muitas formas para lutarmos contra a corrupção. No entanto, existe o outro lado da moeda: Precisamos nos auto examinar. A corrupção é simplesmente um reflexo da falta de integridade. Jesus mesmo foi tentado pelos ídolos de poder e orgulho, popularidade e sucesso, riqueza e ganância, e ele resistiu à tentação. Com sua podemos nos distanciar dos ídolos que nos tentam às vezes diariamente. A integridade é o elemento que integra, que unifica o caráter, a conduta, e o estilo de vida como um todo. Para combater a corrupção e ter integridade, precisamos começar com as condições de nossas vidas. Eu me esforço para praticar a integridade, para ser aberto/a à reforma de Deus e para me tornar mais santo/a? Condenar os grandes escândalos de corrupção ou indivíduos que buscam o poder não é o suficiente. A Rede de Integridade e Anticorrupção de Lausanne e da AEM convida as pessoas interessadas se juntassem à eles. Em junho de 2019, haverá uma grande conferência sobre integridade e anticorrupção em Manila, nas Filipinas. “Todos estão convidados para participarem”, o autor conclui.

” No geral, o mundo é um lugar muito melhor hoje do que alguma vez foi para a maioria das pessoas”, escreve Mats Tunehag (president da BAM Global). O maior progresso na luta contra a pobreza na história da humanidade aconteceu na nossa geração. No entanto, isto aconteceu não através de assistência, mas de comércio, e não através de iniciativas da ONU mas de negócios, especialmente de pequenas e médias empresas. A criação de riqueza através de negócios continua a ser chave neste progresso bem-vindo. A pergunta frequente é:  o que causa a pobreza? Contudo, não deveríamos perguntar-nos o que causa a riqueza, uma vez que a pobreza nunca será ultrapassada a não ser que seja criada riqueza? Várias consultas globais ao longo dos anos reconheceram a necessidade — e a importância — da criação de riqueza através de negócios. A Bíblia condena o acumulo de riqueza e encoraja o compartilhamento da riqueza, enquanto a criação de riqueza é uma habilidade e um comando dado por Deus. No entanto, demasiadas vezes a questão de criação de riqueza é incompreendida, negligenciada ou mesmo rejeitada. Isto também se aplica a criadores de riqueza — pessoas de negócios — que frequentemente dizem sentir-se incompreendidas ou negligenciadas pela igreja. O papel dos negócios e o seu potencial como agentes de transformação holística são amplamente reconhecidos por economistas e historiadores. Os evangélicos de todo o mundo acolhem cada vez mais estes conceitos, muitas vezes sob a rubrica Negócios como Missão (BAM). “Os negócios e a criação de riqueza não são apenas atividades ou ocupações dignas. Elas estão profundamente relacionadas com quem Deus é e quem nós somos”, Tunehag conclui.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação, assim como pontos de vista e perspectivas para que, como líder, você esteja bem equipado para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a administração de tudo que Deus confiou aos seus cuidados. Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em julho.

Print Friendly, PDF & Email

David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.