Bem-vindo à edição de setembro da Análise Global de Lausanne, que está disponível também em inglês e espanhol, e em áudio somente em inglês. Aguardamos suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Desde já gostaria de ressaltar que eu acredito nos estudos acadêmicos, mas com um propósito. Assim como a exposição aos desafios impostos pela primeira geração de novos crentes que agora formam as “igrejas emergentes” na Índia e em muitas outras nações asiáticas e em outros países em desenvolvimento. Portanto, eles possuem uma visão de mundo totalmente diferente. Enquanto a educação teológica formal contribui criticamente com a saúde de longo-prazo da igreja, abordagens não-formais se dirigem ao grande e crescente número de pessoas que necessitam de treinamento pastoral básico, mas para quem o treinamento formal não é acessível ou adequado. Portanto, precisamos de materiais adaptáveis com base bíblica sólida, que sejam fáceis de transmitir de acordo com as necessidades das pessoas. A educação teológica como vemos hoje em nossas universidades de teologia e seminários são frutos do iluminismo do século XVIII.

O desafio real que enfrentamos na educação teológica evangélica hoje é que ela está sendo tomada pela academia, sem a visão pela missão e ministério. Chegou a hora de reconhecermos algumas realidades importantes se quisermos que a educação teológica seja eficiente e não se torne um fóssil: Precisamos de uma abordagem dupla, que inclui a educação formal e informal, com o foco principal nas nuances dos estilos contextualizados de aprendizado dos países em desenvolvimento. É importante não ser elitista e tradicionalista, deixando de reconhecer a necessidade de transformação que levará a igreja de nosso Senhor Jesus Cristo a ser embasada e enraizada em sua Palavra.

Estou cada vez mais receoso sobre a natureza e sustentabilidade de preparar futuros líderes eclesiásticos através do treinamento teológico “tradicional”. Em meu trabalho na Oxford Centre for Mission Studies (OCMS – Centro Oxford de Estudos Missionários, em tradução livre) eu conheci diversos líderes do mundo todo, e está claro que eles estão fazendo questionamentos semelhantes, especialmente em países que estão usando basicamente um modelo ocidental de treinamento teológico. Meu próprio histórico profissional é na área de educação, incluindo treinamento de professores de segundo grau na Universidade de Oxford onde tínhamos preocupações semelhantes e radicalmente reformamos nosso treinamento. Por causa destes paralelos e com base na minha experiência treinando homens e mulheres maduros para se tornarem professores e líderes no curto e longo prazo, eu ouso questionar e fazer sugestões para o treinamento de futuros líderes das igrejas, ministérios e missões. Minha resposta seria para ressaltar a preparação para as praticidades de ajudar as necessidades de pessoas de verdade na sociedade contemporânea.   O conhecimento requerido precisa de um pouco de teologia baseada na Bíblia, mas não tanto, como eu suspeito, como incluso em muitos cursos. Também é necessário, no ministério e acima de tudo na missão, garantir que os possíveis pastores tenham as atitudes corretas perante Deus, a si próprios e para com os outros. O modelo de profissão reflexiva é apropriado para um aprendizado profundo. Estou consciente de que ao escrever isso, muitos outros com muito mais experiência e especialização que eu já estou tentando desenvolver a melhor forma de treinar líderes para a igreja. Também estou ciente de que o trabalho ministerial nas igrejas da vida real na sociedade contemporânea é cada vez mais difícil – eu pensava que o trabalho de um professor escolar era o mais difícil, até considerar o trabalho dos líderes das igrejas.

Há um motivo para os grupos de povos não alcançados e não engajados (PNAs) ainda não terem acesso às boas novas: Esses grupos de pessoas que não sabem sobre Jesus estão tipicamente em áreas onde a igreja é perseguida ou em regiões geograficamente isoladas. Alcançá-los não será fácil por diversos fatores: Muitos cristãos tem aversão ao risco e não estão dispostos a irem para esses povos. Pode ser também que outros cristãos são insensatos. Ficou claro em novembro do ano passado, quando o missionário John Chau da All Nations foi morto ao tentar alcançar os sentineleses, que existe uma discordância disseminada entre os cristãos sobre sua missão: Há muitos trechos no Novo Testamento onde os discípulos e igrejas abraçaram o risco. Em diversos incidentes, a igreja primitiva parece ter discordado sobre os níveis de risco aceitáveis. Se a igreja simplesmente adota a atitude de que nenhum grau de risco é aceitável, isso nega o exemplo de Cristo e dos apóstolos. No entanto, simplesmente mergulhar de cabeça no risco e perigo sem fazer o que podemos de um ponto de vista humano também não honra a Deus.  Essas não são decisões ou discussões fáceis. No entanto, são necessárias e honram a Deus e os povos do mundo que ainda não tiveram a chance de ouvir sobre Jesus.  As decisões de abraçar o risco envolvem amar aos outros mais do que amamos a nós mesmos. Não são decisões que devem ser feitas de forma leviana, mas cada vez mais as agências missionárias e igrejas estarão escolhendo enviar seus amados para lugares de risco, pelo bem do evangelho. Façamos isso com sabedoria e ousadia para a glória de Jesus Cristo.

Ele avisou que, considerando o crescimento da religião entre o povo chinês, que o Partido Comunista da China (PCC) deveria “guiar a adaptação das religiões à sociedade socialista”.  A campanha de “sinização” ideológica, legal e burocrática de Xi é uma campanha de reeducação e reforma ideológica disseminada que lembra as campanhas dos anos 1950 e 1960 que buscavam ancorar a identidade nacional chinesa firmemente à ideologia e governo do PCC. Entre os grupos onde a primazia dessa identidade é resistida, a “sinização” significa até mesmo o encarceramento de grandes números de muçulmanos uigures, cazaques, e hui, assim como de líderes cristão que se recusam a conformar. Portanto, como ideologia e política, a “sinização” está por detrás das invasões das igrejas, o encarceramento de seus pastores e a destruição de igrejas e cruzes em intervenções calculadas para lembrar os cristãos que o PCC não tolera rivais ideológicos. Por trás do impulso de Xi para “sinização” da religião, está uma grande “contradição” para o PCC na sociedade civil crescente. Portanto, para o PCC, o levante da religião, especialmente o cristianismo e islamismo, representam uma ameaça existencial à saúde política, e a “sinização” é o remédio necessário. Para Xi, no entanto, a “sinização” é profundamente política. A China de hoje é muito diferente da China dos anos 1950. Hoje, as conexões internacionais chinesas, públicas e privadas, não são somente vastas, mas também necessárias para o crescimento e força econômica do país. Considerando os pontos acima, o efeito de fato da “sinização” poderia acabar nutrindo a própria autonomia religiosa que ela busca esmagar. Certamente, a tentativa atual de controlar a religião na China irá mudar o modo de vida para as igrejas cristãs chinesas, mas é improvável que seu crescimento e influência sejam cortados… considerando as habilidades deles e da sociedade civil em se adaptarem rapidamente, questionamos se as tentativas de assimilação do DTFUP realizarão algo além de compelir lealdade da boca pra fora, mas não do coração, do povo chinês.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica e de confiança, informação, assim como pontos de vista e perspectivas para que, como líder, você esteja bem equipado para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras e seu desenvolvimento ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a administração de tudo que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em novembro.

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David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.