Bem-vindo à edição de novembro da Análise Global de Lausanne, que está disponível também em inglês e espanhol. Aguardamos suas opiniões e comentários sobre esta edição.

Nesta edição, abordamos o problema dos falsos profetas na África e consideramos como podemos ajudar a igreja a fortalecer seus fundamentos; falamos sobre o aplicativo da Bíblia uzbeque e examinamos como aplicativos do tipo podem propagar o discipulado, evangelismo e herança cultural; perguntamos como podemos buscar a missão integral sem promover o materialismo individualista; e tentamos reimaginar a aposentadoria e recuperar a visão da terceira idade na igreja.

“Desde a época em que os missionários começaram a chegar a África, o cristianismo tem tido um impacto positivo na esfera sociocultural em todo o continente,” escreve Moses Owojaiye (CEO do Centro de Cristianismo Bíblico na África). Como resultado, o cristianismo continua a crescer em grande parte do continente e também alcançou uma aceitação pública significativa como uma força que contribui para o bem social. Agora, no entanto, sua credibilidade tem sido afetada pelo rápido crescimento e visibilidade na mídia de pastores ‘suspeitos’, que são os falsos profetas da atualidade. Entre eles, os valores que distinguiam tradicionalmente o ministério cristão estão cada vez mais ausentes. Esses profetas autoproclamados perverteram o ministério profético. Os africanos consideram os funcionários religiosos pessoas que possuem capacidades sobrenaturais para intervir nas incertezas da vida causadas pelas atividades das forças espirituais no mundo invisível. Os falsos profetas foram astutos e aprenderam a papaguear o que os seguidores mais pobres e fragilizados estão desesperados para ouvir. Embora se saiba acerca dos abusos, estes profetas autoproclamados mantêm milhares de seguidores que financiam as suas atividades. É necessário incluir uma avaliação dos modelos de recrutamento e formação de líderes nas intervenções, incluindo a reconsideração do currículo teológico usado para formar líderes. É urgente que a igreja promova o tipo de literacia bíblica e discipulado que aborde os problemas contemporâneos que levam os congregantes a acorrer a estes profetas em primeiro lugar. Estas soluções exigirão uma colaboração e coordenação intencionais. “Por fim, aqueles que conhecem a verdade e estão preocupados com o estado atual da igreja africana deverão orar pela construção dos seus alicerces e pelo seu amadurecimento enquanto templo de Cristo na África,” ele conclui.

“Aproximadamente 33 milhões de pessoas falam o idioma uzbeque, a maioria deles morando no Uzbequistão e nos países vizinhos no centro asiático,” escreve Feruza Krason (consultora de tradução bíblica da SIL International). O aplicativo da bíblia em uzbeque, lançado em 2013, oferece aos crentes do Uzbequistão a chance de ler a Bíblia em seu idioma materno e foi elogiado pela facilidade de uso. O aplicativo é popular entre pessoas de diversas idades, com diferentes graus de escolaridade e alfabetização. Além de ser usado para um crescimento pessoal na fé, os crentes podem compartilhar a Bíblia com qualquer pessoa que mostre interesse nela, sem restrições, com o simples clique de um botão. A opressão religiosa ainda é muito real no Uzbequistão, tornando o difícil rastrear o uso do aplicativo. No entanto, isso não deveria desestimular os programadores de produzirem e distribuírem aplicativos desse tipo. Existem situações onde obter uma cópia física das escrituras é simplesmente impossível. Além do mais, a existência do aplicativo da Bíblia em uzbeque tem sido uma grande benção para a igreja e para a diáspora uzbeque do mundo todo.  É uma forma fácil de acessar a Bíblia em seu próprio idioma, não somente para edificação e evangelização, mas também para manutenção de seu idioma nativo. “A beleza de disponibilizar a Bíblia de forma eletrônica para uma vasta gama de leitores está nisso: seja para encorajar, exortar e ensinar a igreja ou para ajudar imigrantes a não se esquecerem de sua própria cultura ou idioma para não perderem sua linda herança cultural,” ela conclui.

“A globalização está se espalhando no estilo ocidental com economias de mercado ao redor do mundo, resultando em um mundo que está se convergindo em algumas narrativas, práticas e institucionais,” escreve Brian Fikkert (presidente do Chalmers Center da Covenent College). Ao mesmo tempo em que as grandes reduções de pobreza mundial devem ser celebradas, existem motivos de preocupação sobre a natureza atual da economia mundial. O bem-estar não aumenta automaticamente com a prosperidade econômica. O bem-estar mental e físico está declinando nos EUA. Devido à queda, existem forças internas e externas que buscam nos transformar em algo que não fomos feitos para ser. Somos transformados na imagem do que adoramos; portanto adorar deuses falsos nos deforma profundamente. A economia global atual reflete a idolatria no centro da economia ocidental. A vida é frequentemente reduzida ao ciclo interminável de consumir-receber salário-consumir, em uma busca interminável pela prosperidade material. O processo de globalização está espalhando essa deformidade para o resto do mundo, ao mesmo tempo em que a expansão dos mercados ajuda a tirar as pessoas da pobreza material. A igreja precisa de discipulado econômico que equipa o povo de Deus a viver fielmente na economia do Rei Jesus em meio à economia globalizada. Precisamos aprender a oferecer nosso trabalho e riqueza como um ato de louvor a Deus em todos os momentos de cada dia. A igreja também precisa de modelos de missão integral que capacitam pessoas pobres a serem sacerdotes-reis em vez de adoradores do homo economicus. O empoderamento econômico pode escravizar. “Todos precisamos do Rei Jesus e de sua economia para nos tornar livres,” ele conclui.

“O mundo – e a igreja cristã – estão envelhecendo rapidamente,” escreve Jeff Haanen (Fundador e CEO do Denver Institute for Faith and Work). Numa era de longevidade humana, as pessoas estão se perguntando como vão passar o que podem vir a ser 20, 30 ou até 40 anos após a aposentadoria oficial. Globalmente, os paradigmas do envelhecimento estão começando a rachar. Por que numa era quando as pessoas possuem saúde durante muito mais tempo do que antes na história moderna, persiste a ideia da “aposentadoria”? Chegou o momento de mudar como se enxerga a aposentadoria – não somente pelo bem da economia global, mas também pelo bem dos milhões de homens e mulheres que desejam contribuir significativamente com suas vidas, mas que vivem em uma sociedade que os relegou às margens. Precisamos encorajar os ritmos de descanso, renovação e reengajamento à medida que as pessoas entram na aposentadoria. Precisamos também mudar a conversa do ponto de vista do benefício e começar a defender com afinco o trabalho dos idosos em nossas comunidades. No passado, os idosos eram associados com sabedoria, caráter e habilidade de liderança, os frutos presumidos da experiência e idade. Eles têm muito a oferecer à próxima geração. Em vez de praticar a segregação etária, muitas igrejas estão movimentando os idosos de suas congregações para o bem-estar da geração seguinte. A imagem bíblica sobre a aposentadoria não é de heroísmo ou hedonismo, mas sim escutar a voz de Deus e responder em amor como idosos, intencionalmente compartilhando a sabedoria e abençoando a próxima geração. “É simplesmente uma vida de serviço, apontando além de nós mesmos para Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança,” ele conclui.

Esperamos que você ache esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica de confiança, informações, assim como pontos de vista e perspectivas para equipar líderes como você para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras, e seu desenvolvimento, ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a administração de tudo que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em janeiro.

David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.

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