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Bem-vindo à edição de março da Análise Global de Lausanne, também disponível em inglês e espanhol e, pela primeira vez, em francêsAguardamos os seus comentários.

Nesta edição, iremos explorar a liderança servil que Jesus exemplificou, sugerindo princípios para a missão mundial do século XXI; perguntaremos como podemos nos aproximar dos Sikhs, a quinta maior religião no mundo; consideraremos os cuidados com a criação como parte da missão da igreja à luz das queimadas na floresta amazônica; e examinaremos o terrorismo global de uma perspectiva africana, perguntando como devemos compreender e responder a ele.

“O servo-líder é um paradoxo, um oxímoro. É a fusão controversa de aparentes opostos — um servo e um líder — que produz um líder por excelência, escreve Mary Ho (líder executiva internacional da All Nations). Num século XXI global, os líderes e trabalhadores de missões não lidam com situações lineares, mas com dilemas complexos. O servo-líder é o modelo de liderança universal atemporal capaz de lidar com os problemas deste século complexo. Qualquer pessoa pode tornar-se um servo-líder. Além disso, os servos-líderes vêm de todas as culturas — e são capazes de alcançar pessoas de todas as culturas e religiões. Embora todas as culturas e religiões apresentem aspetos do conceito, Jesus Cristo é a derradeira personificação de um servo-líder. Especialistas identificaram sete pares da liderança de serviço que abrangem todos os dilemas transculturais. Embora estas dimensões não sejam abertamente espirituais, Jesus exemplifica cada uma delas. Jesus deu o maior salto cultural na história, de divino no Céu para humano na Terra. Ele integrou perfeitamente os estilos de liderança combinados de um servo-líder. Na Última Ceia, Jesus estabeleceu uma nova hipercultura que transcendeu todas as culturas quando nos exortou: “se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros” (João 13:14). Nessa noite, ele ordenou-nos que nos amássemos uns aos outros, não simplesmente como nos amamos a nós próprios, mas como ele nos ama. “É insondável, mas essa é a cultura transcendente da liderança de servo,” ela conclui.

“Os sikhs são praticantes do sikhismo, uma religião monoteísta fundada em Punjab, na Índia, em 1469, pelo Guru Nanak Dev,” escreve Sadiri Joy Tira (coordenador do Grupo Estratégico da Diáspora na América do Norte de Lausanne). Hoje, o sikhismo é a quinta maior religião no mundo. Estima-se que existam 27 milhões de seguidores na Índia e globalmente. Embora a maioria dos sikhs se encontre em Punjab e no norte da Índia, há um grande número em diáspora. Ao contrário dos hindus, que são politeístas, os sikhs são monoteístas, como os cristãos. Além disso, assim como o Cristianismo, o sikhismo ensina que todos os humanos são criados iguais e enfatiza uma vida de adoração, disciplina e serviço. Estes pontos comuns são pontes para discussão e construção de relacionamentos. Nos últimos anos, tem havido relatos crescentes de sikhs que decidem seguir Jesus na Índia e nas comunidades da diáspora. Para que haja um impacto do reino onde eles se encontram, os cristãos devem interagir com os sikhs e levá-los ao ‘derradeiro guru’, Jesus Cristo. Tira escreve: “Ao terminar o meu mandato como Catalisador de Diásporas do Movimento de Lausanne, é com alegria que vejo o Movimento abraçar os sikhs, como demonstrado pelo apoio e patrocínio da primeira Consulta Global Sikh.” O “convite de oração” pelo povo sikh feito na consulta seria um bom ponto de partida para começar a interagir com sikhs em evangelismo de amizade. Deus orquestrou o plano de plantação da semente nos corações de muitos sikhs na Índia e espalhados pelo mundo, longe da sua pátria. Devemos ser corajosos e persistentes no nosso ministério com sikhs. “A igreja global deve abrir as suas portas, oferecendo hospitalidade e amizade,” ele conclui.

“Os incêndios da floresta amazônica na temporada de secas de 2019 chamou a atenção de líderes políticos e de organizações eclesiásticas do mundo todo,” escreve Tim Carriker (professor de diversas instituições teológicas brasileiras). No entanto, a floresta continua a queimar, e os incêndios são somente parte de uma rede extremamente complexa de eventos relacionados à crescente crise planetária. O papel ambiental da floresta amazônica é crítico para os padrões climáticos locais e para a regulação do clima do planeta todo. Os incêndios levantam questões importantes sobre como os cristãos devem responder a esse tipo de situação. O mundo reagiu fortemente às queimadas. Houve diversos protestos nas cidades ao redor do mundo, assim como horror e descrença com relação às políticas ambientais do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, os incêndios evocam duas reações muito contrárias: Por um lado, estão os que defendem um planeta sustentável para a sobrevivência futura da civilização humana. Por outro lado, estão aqueles que defendem o direito de exploração dos recursos naturais. O conflito não é menos prevalente na comunidade cristã, complicando profundamente a possibilidade de uma resposta cristã unida. Mesmo assim, devemos buscar a orientação bíblica, indiferentemente das visões escatológicas de cada um; e algumas perspectivas que precisam ser consideradas estão listadas. A ação mais estratégica para resolver os efeitos de longo prazo dos incêndios na floresta amazônica e seu desmatamento é a mobilização de igrejas locais e de organizações cristãs para plantar árvores. “As igrejas e organizações cristãs podem exercer seu papel através de programas piloto além de promoverem também iniciativas comerciais e governamentais, tanto localmente quanto internacionalmente,” ele conclui.

“O terrorismo é um problema monstruoso em nossos tempos,” escreve Wanjiru Gitau (pesquisadora sênior da St.   Thomas University). O desmembramento de grupos como Al-Queda e Estado Islâmico em grupos regionais, como Boko Haram na Nigéria e Al-Shabaab no leste da África, apresentam um desafio aos governos e comunidades locais – incluindo as igrejas, já que os cristãos continuam a ser um alvo central dos terroristas. Os cristãos precisam de melhor preparo, especialmente nas comunidades de fé. Em Nairóbi, por exemplo, quase todas as igrejas da cidade estão protegidas por seguranças armados. Algumas igrejas construíram barreiras móveis nas entradas, e o grupo de boas-vindas e diáconos recebem treinamento para estarem atentos à segurança. Os cristãos são frequentemente vistos como alvos fáceis, enquanto o terrorismo muçulmano é dirigido contra outros inimigos percebidos. A intenção não é minimizar situações de perseguição verdadeira contra cristãos. No entanto, em sua maioria, no caso de ataques terroristas, os cristãos são um alvo representativo. A resposta verdadeira ao terrorismo está no poder da sociabilidade. Em muitas partes do mundo, pessoas com visões de mundo, religiões e idiomas diferentes, vivem lado a lado por muito tempo. Essa é uma oportunidade para cristãos em todos os lugares conhecerem, e intencionalmente construírem pontes para se unir aos muçulmanos e outros vizinhos, redescobrindo o ministério imersivo. O ministério imersivo não envolve sempre a conversa direta. “É isso; mas também envolve testemunhar através de sua vida, exemplo, amizade e simplesmente sua sociabilidade humana, confiando que, em seu papel de provedor, Deus permitirá que esses relacionamentos se transformem em uma influência que gera a redenção em vez de terroristas coercivos forjados no isolamento,” ela conclui.

Esperamos que considere esta edição estimulante e útil. Nosso objetivo é oferecer uma análise estratégica de confiança, informações, assim como pontos de vista e perspectivas para equipar líderes como você para a missão global. É nosso desejo que a análise de tendências atuais e futuras, e seu desenvolvimento, ajude você e sua equipe a tomar melhores decisões sobre a administração de tudo que Deus confiou aos seus cuidados.

Envie suas perguntas e comentários sobre esta edição para [email protected]. A próxima edição da Análise Global de Lausanne será lançada em maio.

David Taylor é o Editor da Análise Global de Lausanne. Ele é um analista de relações exteriores com foco no Oriente Médio. Ele trabalhou durante 17 anos no Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, com foco especial no Oriente Médio e Norte da África. Em sua experiência seguinte, trabalhou 14 anos como Editor para o Oriente Médio e editor adjunto do Daily Brief na Oxford Analytica. David agora divide seu tempo entre trabalhos de consultoria para a Oxford Analytica, o Movimento de Lausanne e outros clientes. Ele trabalha também com a Christian Solidarity Worldwide – CSW, a Religious Liberty Partnership e outras redes internacionais com foco em liberdade religiosa.

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